Há em todas as coisas uma mais-que-coisa
fitando-nos como se dissesse: “Sou eu”,
algo que já lá não está ou se perdeu
antes da coisa, e essa perda é que é a coisa.
Em certas tardes altas, absolutas,
quando o mundo por fim nos recebe
como se também nós fossemos mundo,
a nossa própria ausência é uma coisa.
Então acorda a casa e os livros imaginam-nos
do tamanho da sua solidão.
Também nós tivemos um nome
mas, se alguma vez o ouvimos, não o reconhecemos.
Manuel António Pina, in “como se desenha uma casa” assírio & alvim, 2011 link
«À semelhança do que ainda hoje se faz em doçaria com os chamados frutos cristalizados, fazia-se também nessa altura [1930s-40s], e era especialidade do Anselmo [mercearia eborense], a chamada «excursioneira», envolvida em palhinha fina de papel e vendida em caixinhas atraentes. Muito procurada pelos visitantes da cidade, muitos deles vindos em excursões, aquele produto tão apreciado não era mais do que uma raiz carnuda, do tipo da raiz da abrótea, descascada, cozida e cristalizada com açúcar.»
A. M. Galopim de Carvalho, O Cheiro da Madeira, Lisboa, Âncora Editora, 2002, p. 74.
Gulbenkian - A Perspectiva das Coisas. A Natureza-Morta na Europa Segunda parte: Séculos XIX-XX (1840 - 1955)
21 Outubro de 2011 a 8 Janeiro de 2012
http://www.museu.gulbenkian.pt/serv_edu/e
Biblioteca Nacional de Portugal - Das Partes do Sião
7 Dezembro 2011 a 18 Fevereiro 2012
Museu de Arte Antiga - Cuerpos de Dolor. A Imagem do Sagrado na Escultura Espanhola (1500-1750)
15 Novembro 2011 a 25 Março 2012
«Without a doubt, the top touristic sight in the town of Bagheria is Villa Palagonia. A architectural masterpiece and an ode to eccentricity, this building is most famous for its flock of “monsters”; an army of gargoyles who adorn the garden walls.
The house was built in 1715, and immediately hailed as an architectural achievement, and one of the finest works of Sicilian Baroque on the island. But the Villa didn’t acquire the strange touch which made it world-famous until 1749, when the deranged Prince of Palagonia ordered a set of gargoyles to line its garden walls. Legions of dragons, soldiers, hunchbacks and freaks of nature look down on visitors from atop stony perches. According to legend, the most freakish faces are meant to caricature the many lovers of the prince’s promiscuous wife.
Inside, the villa is less eccentric but equally impressive. Paintings of the trials of Hercules line an oval-shaped vestibule, and you can step inside a room intriguingly named The Hall of Mirrors. This was the ballroom, and its marble walls are colorfully decorated with colorful birds and portraits of the various lords of Europe.» link
The Hiliard Ensemble e Jan Garbarek no álbum Officium - Virgo flagellatur.
Outra interpretação, menos 'moderna', aqui.
«O historiador António Miguel Alegria foi nomeado director do Museu de Évora, em regime de substituição, depois de o antigo responsável ter pedido a demissão do cargo, segundo foi publicado hoje em Diário da República. Pertencente ao quadro de pessoal do Museu de Évora, o novo director, que inicia funções na quinta-feira [1 Dez. 2011], é licenciado em História pela Universidade Autónoma de Lisboa e tem mestrado em Museologia e Património pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Contactado hoje pela agência Lusa, o historiador e museólogo António Miguel Alegria explicou que aceitou o lugar por ser em regime de substituição, já que o prazo até ao lançamento de um novo concurso para o cargo “é muito curto”.
“Vamos esperar pela lei orgânica do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC). Assumirei o cargo até ao concurso e, depois, logo se verá”, limitou-se a adiantar.
O cargo de director do Museu de Évora é ocupado, há quase dois anos, pelo professor da Universidade Nova de Lisboa António Camões Gouveia, que revelou à Lusa ter pedido a cessação da comissão de serviço para voltar à vida académica. (...)» link
Não, não, não subscrevo, não assino
que a pouco e pouco tudo volte ao de antes,
como se golpes, contra-golpes, intentonas
(ou inventonas – armadilhas postas
da esquerda prá direita ou desta para aquela)
não fossem mais que preparar caminho
a parlamentos e governos queiram secretamente pôr ramos de cravos
e não de rosas fatimosas mas de cravos
na tumba do profeta em Santa Comba,
enquanto pra salvar-se a inconomia
os empresários (ai que lindo termo,
com tudo o que de teatro nele soa)
irão voltar testas de ferro do
capitalismo que se usou de Portugal
para mão-de-obra barata dentro ou fora.
Tiveram todos culpa no chegar-se a isto:
infantilmente doentes de esquerdismo
e como sempre lendo nas cartilhas
que escritas fedem doutras realidades,
incompetentes competiram em
forçar revoluções, tomar poderes e tudo
numa ânsia de cadeiras, microfones,
a terra do vizinho, a casa dos ausentes,
e em moer do povo a paciência e os olhos
num exibir-se de redondas mesas
em televisas barbas de falácia imensa.
E todos eram povo e em nome del’ falavam,
ou escreviam intragáveis prosas
em que o calão barato e as ideias caras
se misturavam sem clareza alguma
(no fim das contas estilo Estado Novo
apenas traduzido num calão de insulto
ao gosto e á inteligência dos ouvintes-povo).
Prendeu-se gente a todos os pretextos,
conforme o vento, a raiva ou a denúncia,
ou simplesmente (ó manes de outro tempo)
o abocanhar patriótico dos tachos.
Paralisou-se a vida do pais no engano
de que os trabalhadores não devem trabalhar
senão em agitar-se em demandar salários
a que tinham direito mas sem que
houvesse produção com que pagá-los.
Até que um dia, à beira de uma guerra
civil (palavra cómica pois quedo lume os militares seriam quem tirava
para os civis a castanhinha assada),
tudo sumiu num aborto caricato
em que quase sem sangue ou risco de infecção
parteiras clandestinas apararam
no balde da cozinha um feto inexistente:
traindo-se uns aos outros ninguém tinha
(ó machos da porrada e do cacete)
realmente posto o membro na barriga
da pátria em perna aberta e lá deixado
semente que pegasse (o tempo todo
haviam-se exibido eufóricos de nus,
às Africas e às Europas de Oeste e Leste).
A isto se chegou. Foi criminoso?
Nem sequer isso, ou mais do que isso um guião
do filme que as direitas desejavam,
em que como num jogo de xadrez a esquerda
iria dando passo a passo as peças todas.
É tarde e não adianta que se diga ainda
(como antes já se disse) que o povo resistiu
a ser iluminado, esclarecido, e feito
a enfiar contente a roupa já talhada.
Se muita gente reagiu violenta
(com as direitas assoprando as brasas)
é porque as lutas intestinas (termo
extremamente adequado ao caso)
dos esquerdismos competindo o permitiram.
Também não vale a pena que se lave
a roupa suja em público: já houve
suficiente lavar que todavia
(curioso ponto) nunca mostrou inteira
quanta camisa à Salazar ou cueca de Caetano
usada foi por tanto entusiasta,
devotamente adepto de continuar ao sol
(há conversões honestas, sim, ai quantos santos
não foram antes grandes pecadores).
E que fazer agora? Choro e lágrimas?
Meter avestruzmente a cabeça na areia?
Pactuar na supremíssima conversa
de conciliar a casa lusitana,
com todos aos beijinhos e aos abraços?
Ir ao jantar de gala em que o Caetano,
o Spínola, o Vasco, o Otelo e os outros,
hão-de tocar seus copos de champanhe?
Ir já fazendo a mala para exílios?
Ou preparar uma bagagem mínima
para voltar a ser-se clandestino usando
a técnica do mártir (tão trágica porque
permite a demissão de agir-se à luz do mundo,
e de intervir directamente em tudo)?
Mas como é clandestina tanta gente
que toda a gente sabe quem já seja?
Só há uma saída: a confissão
(honesta ou calculada) de que erraram todos,
e o esforço de mostrar ao povo (que
mais assustaram que educaram sempre)
quão tudo perde se vos perde a vós.
Revolução havia que fazer.
Conquistas há que não pode deixar-se
que se dissolvam no ar tecnocratado oportunismo à espreita de eleições.
Pode bem ser que a esquerda ainda as ganhe,
ou pode ser que as perca. Em qualquer caso,
que ao povo seja dito de uma vez
como nas suas mãos o seu destino está
e não no das sereias bem cantantes
(desde a mais alta antiguidade é conhecido
que essas senhoras são reaccionárias,
com profissão de atrair ao naufrágio o navegante intrépido).
Que a esquerda
nem grite, que está rouca, nem invente
as serenatas para que não tem jeito.
Mas firme avance, e reate os laços rotos
entre ela mesma e o povo (que não é
aqueles milhares de fiéis que se transportam
de camioneta de um lugar pró outro).
Democracia é isso: uma arte do diálogo
mesmo entre surdos. Socialismo à força
em que a democracia se realiza.
Há muito socialismo: a gente sabe,
e quem mais goste de uns que dos outros.
É tarde já para tratar do caso: agora
importa uma só coisa – defender
uma revolução que ainda não houve,
como as conquistas que chegou a haver
(mas ajustando-as francamente à lei
de uma equidade justa, rechaçando
o quanto de loucuras se incitaram
em nome de um poder que ninguém tinha).
E vamos ao que importa: refazer
um Portugal possível em que o povo
realmente mande sem que o só manejem,
e sem que a escravidão volte à socapa
entre a delícia de pagar uma hipoteca
da casa nunca nossa e o prazer
de ter um frigorifico e automóveis dois.
Ah, povo, povo, quanto te enganaram
sonhando os sonhos que desaprenderas!
E quanto te assustaram uns e outros,
com esses sonhos e com o medo deles!
E vós, políticos de ouro de lei ou borra,
guardai no bolso imagens de outras Franças,
ou de Germânias, Rússias, Cubas, outras Chinas,
ou de Estados Unidos que não crêem
que latinada hispânica mereça
mais que caudilhos com contas na Suíça.
Tomai nas vossas mãos o Portugal que tendes
tão dividido entre si mesmo. Adiante.
Com tacto e com fineza. E com esperança.
E com um perdão que há que pedir ao povo.
E vós, ó militares, para o quartel
(sem que, no entanto, vos deixeis purgar
ao ponto de não serdes o que deveis ser:
garantes de uma ordem democrática
em que a direita não consiga nunca
ditar uma ordem sem democracia).
E tu, canção-mensagem, vai e diz
o que disseste a quem quiser ouvir-te.
E se os puristas da poesia te acusarem
de seres discursiva e não galante
em graças de invenção e de linguagem,
manda-os àquela parte.
Não é tempo para tratar de poéticas agora.
Jorge de Sena, Fevereiro 1976
Poema declamado por Mário Viegas no disco Humores II.
«Será apresentado, no dia 30 de Novembro (e não 17 de Novembro como anteriormente noticiado), o livro “O Santo Lenho da Sé de Évora: Arte, Esplendor e Devoção”, uma edição da Fundação Eugénio de Almeida dedicada à Cruz Relicário do Santo Lenho, peça de especial valor histórico-artístico e cultural. Esta publicação, da autoria de Rui Galopim de Carvalho, conta com as colaborações de Artur Goulart de Melo Borges, Coordenador Técnico-científico da equipa do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora e de Gonçalo Vasconcelos Sousa, professor Catedrático da Universidade Católica Portuguesa e do fotógrafo Carlos Pombo Monteiro.» link
«Ugly, inapposite imagery, considered in relation to a Being so exalted and inaccessible, was deemed a more appropriate and less misleading way of approaching the Godhead than any analogy to beauty, goodness, or truth.»
Jeffrey F. Hamburger, To Make Women Weep: Ugly Art as “Feminine” and the Origins of Modern Aesthetics, in Anthropology and Aesthetics N. 31, 1997.
«O amor, o sono, as drogas e intoxicantes são formas elementares da arte, ou, antes de produzir o mesmo efeito que ela. Mas amor, sono e drogas tem cada um a sua desilusão. O amor farta ou desilude. Do sono desperta-se, e, quando se dormiu, não se viveu. As drogas pagam-se com a ruína de aquele mesmo físico que serviram de estimular. Mas na arte não há desilusão porque a ilusão foi admitida desde o princípio.»

Na próxima quarta-feira (dia 9 Novembro) é apresentado o novo catálogo «Arte Sacra no Concelho Alcácer do Sal», editado no âmbito do projecto do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora (Arquidiocese de Évora - FEA).
O lançamento irá decorrer no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, pelas 18h.
- Arte
Seis séculos de pintura em Portugal
Colección Colonial de la Universidad Simón Bolívar
All-Art (World History of Art)
Vitruvio - site sobre arquitectura
Centro de História da Arte (...) da Universidade de Évora
Interpol - Stolen Works of Art
Heilbrunn Timeline of Art History
National Inventory of Continental European Paintings (NICE)
Obras de Referência da Cultura Portuguesa
Chester Beatty Library (images)
Design Blog - Cooper-Hewitt, National Design Museum (Smithsonian)
Minneapolis Institute of Arts' Department of Photographs
Your Paintings - oil paintings in the UK
- Blogosfera
Blogsearch (para encontar ou não blogues)
Fotos de vida selvagem e de paisagem (Portugal)
The ballad of the broken birdie
Pedro Lains - Economia e História Económica
- Blogues Temáticos
Médio Tejo. Património Edificado
Inês Veríssimo Martins (Restauro cerâmica)
Artes decorativas y suntuarias
Cliopatria - History News Network
O Século Prodigioso - Arte do séc. XX
Telegrapho de Hermes (filosofia)
Diário do restauro da Charola do Convento de Cristo
Guerra da Restauração (1641-1668)
Via Vicentius Valentiae - Via Romana
Estudos sobre a Ordem dos Pregadores
MIMSS - Magdalen Iberian Medieval Studies Seminar
Pedra Formosa (Sociedade Martins Sarmento)
Património Cultural, Sustentabilidade e Desenvolvimento
Maquinaria de la nube (antigo)
Caballeros, ministriles, artesanos y goliardos
they humm of mystery (art finds)
The Cabinet of the Solar Plexus
Grupo dos Amigos do Caminho de Santiago
Mustaches of the Nineteenth Century
Igreja de São Pedro (Grândola)
Utz (Coleccionismo, mercado e historias da arte)
arte_facto [hereges perversões]
Grafismo no acervo da Biblioteca da ESMP
Live from the surface of the moon
O funcionário cansado [poesia]
- Blogues de Fotografia/Gravura/...
I shoot strangers in the streets of Singapore
- Blogues de Évora e Alentejo
(H)Ortografias (António Saias)
Auditóro Soror Mariana (Cine Clube)
Carta Arqueológica do Concelho de Évora
Sinais do Céu... (blogue cartusiano)
Montemor-o-Novo. Sabores e Saberes
Liberalitas Julia - Estórias d' Évora
Aldeia de Casa Branca (Sousel)
Pedro Mestre (viola campaniça)
É neste país - associação cultural
Associação dos Antigos Alunos - EICE - Évora
- Blogues para Gulosos e «Foodies»
David Lebovitz - living the sweet life in Paris
- Instituições
Torre do Tombo - Arquivo Nacional
Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja
- Associações de Defesa e Estudo do Património
Associação Amigos de Alcáçovas
Asociación Internacional de Caminería
Associação de Defesa do Património Cultural de Alcácer do Sal
Liga dos Amigos do Castelo de Évora Monte
Instituto Ibérico do Património
Associação de Defesa dos Interesses de Monsaraz (ADIM)
Ass. Portuguesa Amigos dos Castelos
Associação de Defesa do Património de Mértola
European Association of Historic Towns and Regions
Associação de Arqueologia e Defesa do Património da Madeira
Património Histórico - Grupo de Estudos (Caldas)
Ofícios do Património (oprurb)
Associação de Amigos da Biblioteca Nacional de Portugal
Associação dos Amigos da Torre do Tombo
Grupo de Amigos da Igreja de São José dos Carpinteiros
Projecto Arqueológico da Região de Moncorvo
Associação de Estudos e Defesa do Património Histórico-Cultural do Concelho de Silves
Associação Portuguesa de Guardas e Vigilantes da Naturez
- Museus / Colecções / Museologia
Smithsonian American Art Museum
Colecção Berardo (todas as colecções)
Base Joconde (Catalogue des Collections des Musees de France)
Hunterian Museum and Art Gallery (Glasgow)
Musée Mécanique - Zelinsky Collection
Museu dos Terceiros (Ponte de Lima)
Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Mariana (Brasil)
San Francisco Museum of Modern Art
Art Collections - Intesa Sanpaolo
Art and Architecture - Courtauld Institute of Art
Norfolk Museums and Archaeology Service
Museologia Porto (rede social)
National Digital Library Polona
- História, Património & Afins
Sala das Batalhas - Palácio Fronteira
O Novo Aquilégio (nascentes, termas)
The Hispanic Baroque - Conflicting Identities
Mediterranees (mta informação sobre Mediterrâneo)
Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota
L’Histoire par l’image (1789-1939)
Bíblia Católica Online (várias línguas)
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Theoi Project - Greek Mythology
Dicionário de expressões e frases latinas
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Biblioteca Digital de Libros de Emblemas
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The Life of St. Ignatius Loyola - Pictorial Biography
The Spiritual Exercises of Saint Ignatius Loyola in Pictures
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